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Geraldo Nunes

31 Agosto 2009 | 13h55

Costuma-se dizer na aviação que nas manhãs de sol, sem nenhuma névoa, a condição para o voo é com céu de brigadeiro. A visibilidade infinita proporciona aos comandantes das aeronaves a possibilidade de se pilotar à plena altura e com toda a segurança.

No caso de São Paulo, entretanto, o termo “céu de brigadeiro”, não pode mais ser aplicado porque quando não há ventos a poluição atmosférica aumenta e o que se vê é uma faixa horizontal escura na linha do horizonte perceptível não só por quem anda de helicóptero, mas também do alto dos edifícios.

Quanto mais alto, como num sobrevoo pela Serra da Cantareira, maior o visual da poluição.


(Agência Estado)

Como se sabe, a falta de ventos é uma característica do inverno que torna mais difícil a dispersão dos poluentes, mas até dez anos atrás, por exemplo, ainda era possível se notar que as segundas-feiras eram menos poluídas que os demais dias úteis da semana.

As pessoas deixavam a cidade nos finais de semana ou mantinham seus carros nas garagens aos domingos. Isto ainda ocorre, mas a frota de veículos em circulação aumentou muito.

Em 1999 tínhamos quatro milhões e meio de veículos rodando e hoje a frota circulante já ultrapassou a casa dos seis milhões na Grande São Paulo.

É óbvio que os índices de poluição foram lá para cima e a tendência é que aumente ainda mais toda vez que houver uma inversão térmica, mas a inspeção ambiental veicular estabelecida na capital paulista verifica apenas as condições dos veículos fabricados de 2003 para cá, quando deveria acontecer o inverso.

Além disso, o rodízio de caminhões foi criado para tentar melhorar o trânsito porque a fumaça preta lançada por esses veículos na atmosfera é praticamente a mesma com ou sem rodízio, porque os caminhões não deixaram de trafegar na cidade, apenas mudaram os horários de circulação.

Boa parte da poluição se deve à fumaça emitida pelos veículos movidos a óleo diesel como os caminhões e os ônibus. Por causa deles é que o ar da cidade na maioria das vezes se torna irrespirável.


(Agência Estado)

Ou nossas autoridades tomam de fato medidas ambientais realmente saneadoras ou teremos cada vez mais poluição na cidade e suas conseqüências letais como o aumento das alergias, das rinites e demais doenças respiratórias.

Como diz Caetano Veloso na música Tropicália; “sobre a cabeça os aviões, sob os meus pés os caminhões”.

Como membro honorário da Força Aérea Brasileira, devo dizer que os Brigadeiros do Ar, nos dias atuais, provavelmente devem detestar ter que pilotar em São Paulo, visto que até o céu desta cidade anda congestionado.

Não é só a poluição, mas o tráfego aéreo cada vez mais repleto de helicópteros a disputar espaço com os monomotores é o que assusta o que prezam a segurança.

Até os pássaros que antes circundavam as imediações do Campo de Marte, já não são mais os mesmos.

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